segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Padre Lemaître e o Big Bang




Poucos sabem, mas foi um padre, Georges Lemaître (1894-1966), quem propôs a teoria do Big Bang.
Em 1927, baseando-se em cálculos com a então recente teoria da relatividade geral, o jesuíta belga enfrentou Einstein e a comunidade científica da época para propor seu modelo cosmológico. É lamentável que alguns cristãos combatam a teoria do Big Bang como se fosse contrária ao relato metafórico do Gênesis, até porque a exegese católica não vê problemas de incompatibilidade entre o Big Bang e o relato bíblico.
O termo Big Bang vem do inglês e significa, ao pé da letra, “grande bum”. Foi criado pelo astrofísico Fred Hoyle, que acreditava no universo estacionário, para ridicularizar a teoria. Acabou dando-lhe o nome. O primeiro a vislumbrar teoricamente a expansão do universo foi o russo Alexander Friedman, mas ele morreu logo em seguida; além disto, o seu trabalho era essencialmente matemático, não físico. Foi o trabalho desenvolvido independentemente pelo padre Lemaître que ganhou destaque. A teoria prevê que o universo surgiu da explosão de um átomo primordial, infinitamente pequeno, quente e denso. Os físicos acreditam que antes do Big Bang não faz sentido falar da noção de tempo nem de espaço. Depois dele, o cronômetro começou a correr e o universo a se expandir, crescendo sempre e sempre.
Lemaître teve muita audácia para divulgar seu modelo. A comunidade científica no início do século XX acreditava numuniverso estacionário, ou seja, parado e sempre do mesmo tamanho, conforme o modelo cosmológico newtoniano. O próprio Einstein acreditava nisso e diminuiu o trabalho de Lemaître dizendo que “seus cálculos estão corretos, mas seu conhecimento de física é abominável”. Entretanto, em 1929, o astrofísico americano Edwin Hubble provou observacionalmente que as galáxias estavam todas se afastando umas das outras: exatamente como o jesuíta havia previsto, por meios teóricos, apenas dois anos antes. Esta prova era contundente e o físico alemão voltou atrás. Einstein e Lemaître proferiram várias palestras juntos e, numa delas, de pé depois de aplaudir, Einstein disse que aquela era “a mais bela e satisfatória explicação da criação” que ele já ouvira. Tendo sua contribuição amplamente reconhecida, Lemaître foi homenageado por muitos órgãos científicos e por vários cientistas de renome. Mais do que isso: em 1936, o próprio papa Pio XI o indicou para a Pontifícia Academia de Ciências. Em 1960, ele recebeu do papa João XXIII o título de Monsenhor.

                                             

Hoje em dia, além da confirmação das observações de Hubble do afastamento das galáxias, há muitas outras provas diretas e indiretas da expansão do universo. As mais importantes são a radiação cósmica de fundo, a quantidade de hidrogênio e hélio detectáveis hoje e o acordo entre as idades das estrelas mais velhas e a prevista para o universo pelo Big Bang, de 14 bilhões de anos. Cientificamente, não há mais dúvidas quanto ao modelo do Big Bang: somente alguns detalhes ainda estão em debate, mas que de maneira alguma ameaçam a certeza da teoria quando vista em um panorama mais amplo.
Sob vários aspectos, não é compreensível que algumas pessoas se coloquem contra a teoria do Big Bang dizendo que ela contraria o relato do Gênesis. O reconhecimento pontifício recebido pelo padre Lemaître por causa de seu trabalho não é um atestado a favor da teoria. Entretanto, de certo modo, não pode deixar de ser entendido como uma aprovação do trabalho do jesuíta. Também a exegese moderna não lê no Gênesis um relato literal da criação, mas tampouco pode deixar-se levar pelas interpretações puramente materialistas. Estas, disfarçando-se de científicas, tentam confundir as pessoas argumentando que não há mais lugar para Deus na criação do mundo. Pelo contrário. Para o crente, fiel ao magistério da Igreja, há sempre um lugar privilegiado para Deus. Deve-se deixar sempre bem claro que a ciência explica o “como” (a teoria do Big Bang), mas não o “porquê” (Deus, para Sua glória e por causa de Seu amor). 




Alexandre Zabot
Fonte: http://www.aleteia.org/pt/ciencia-meio-ambiente/artigo/padre-lemaitre-e-o-big-bang-5910207142035456

domingo, 9 de agosto de 2015

Evangelho - Jo 6,41-51


Naquele tempo: 41Os judeus começaram a murmurar a respeito de Jesus, porque havia dito:'Eu sou o pão que desceu do céu'. 42Eles comentavam:'Não é este Jesus, o filho de José?Não conhecemos seu pai e sua mãe?Como então pode dizer que desceu do céu?'Jesus respondeu: 'Não murmureis entre vós. 44Ninguém pode vir a mim,se o Pai que me enviou não o atrai.E eu o ressuscitarei no último dia. 45Está escrito nos Profetas:`Todos serão discípulos de Deus.'Ora, todo aquele que escutou o Paie por ele foi instruído, vem a mim. 46Não que alguém já tenha visto o Pai.Só aquele que vem de junto de Deus viu o Pai. 47Em verdade, em verdade vos digo,quem crê, possui a vida eterna. 48Eu sou o pão da vida. 49Os vossos pais comeram o maná no desertoe, no entanto, morreram. 50Eis aqui o pão que desce do céu:quem dele comer, nunca morrerá. 51Eu sou o pão vivo descido do céu.Quem comer deste pão viverá eternamente.E o pão que eu dareié a minha carne dada para a vida do mundo'.


Santo do dia


09 de Agosto - Santa Edith Stein 

(Tereza Benedita da Cruz)

Beatificada a 1 de Maio de 1987, acabou sendo canonizada 11 anos depois, a 11 de Outubro de 1998, pelo Papa João Paulo II. Última de 11 irmãos, nasceu em Breslau (Alemanha), a 12 de Outubro de 1891, no dia em que a família festejava o “Dia da Expiação”, a grande festa judaica. Por esta razão, a mãe teve sempre uma predileção por esta filha. O pai, comerciante de madeiras, morreu quando Edith ainda não tinha completado os 2 anos. A mãe, mulher muito religiosa, solícita e voluntariosa, teve que assumir todo o cuidado da família, mas não conseguiu manter nos filhos uma fé viva. Stein perdeu a fé: “Com plena consciência e por livre eleição”, ela afirma mais tarde. Edith dedica-se então a uma vida de estudos na Universidade de Breslau tendo como meta a Filosofia. Os anos de estudos passam até que, no ano de 1921, Edith visita um casal convertido ao Evangelho. Na biblioteca deste casal ela encontra a autobiografia de Santa Teresa de Ávila. Edith lê o livro durante toda a noite. “Quando fechei o livro, disse para mim própria: é esta a verdade”, declarou ela mais tarde. Em Janeiro de 1922, Stein é batizada e no dia 02 de Fevereiro desse mesmo ano é crismada pelo Bispo de Espira. Em 1932 é-lhe atribuída uma cátedra numa instituição católica, onde desenvolve a sua própria antropologia, encontrando a maneira de unir ciência e fé. Em 1933 a noite fecha-se sobre a Alemanha. Edith Stein tem que deixar a docência e ela própria declarou nesta altura: “Tinha-me tornado uma estrangeira no mundo”. E no dia 14 de Outubro desse mesmo ano, entra para o Mosteiro das Carmelitas de Colônia, passando a chamar-se Teresa Benedita da Cruz. Após cinco anos, faz a sua profissão perpétua. Da Alemanha, Edith é transferida para a Holanda juntamente com sua irmã Rosa, que também é batizada na Igreja Católica e prestava serviço no convento. Neste período do regime nazista, os Bispos católicos dos Países Baixos fazem um comunicado contra as deportações dos judeus. Em represália a este comunicado, a Gestapo invade o convento na Holanda e prendem Edith e sua irmã. Ambas são levadas para o campo de concentração de Westerbork. No dia 07 de Agosto, ela parte para Auschwitz, ao lado de sua irmã e um grupo de 985 judeus. Por fim, no dia 09 de Agosto, a Irmã Teresa Benedita da Cruz, juntamente com a sua irmã Rosa, morre nas câmaras de gás e depois tem seu corpo queimado. Assim, através do martírio, Santa Teresa Benedita da Cruz, recebe a coroa da glória eterna no Céu...Santa Teresa Benedita da Cruz, rogai por nós!
Fonte: http://santo.cancaonova.com/santo/santa-teresa-benedita-da-cruz-edith-stein/